meus filhos me deixam maravilhada

Meus Filhos Me Deixam Maravilhada

Decidir se mudar para um outro país quando os seus filhos têm 16, 13 e 10 anos de idade é o que os especialistas chamariam de suicídio familiar. Tomar uma decisão tão drástica assim precisava de votos unânimes de todos os membros da família. Ainda bem que a gente não tinha nossa cadela naquela época, eu não sei o que ela teria respondido.

Quando o Dwayne e eu mencionamos a ideia para as crianças, não fomos duros em nossa apresentação, pelo contrário, fomos dispostos a ceder. Pra falar a verdade, eu provavelmente desejei secretamente que eles surtassem pra que isso nos fizesse acabar mudando de ideia. Mas o que me chocou foi a reação deles. Claro que lágrimas rolaram (principalmente do Dwayne) quando pedimos pra que eles orassem sobre vir pro Brasil. A primeira reação da Sydney foi dizer que ela sempre tinha a esperança de que a gente voltasse às missões no exterior e isso foi em 10 minutos de conversa. O segundo comentário dela foi “eu só vou se vocês me deixarem liderar o primeiro set da sala de oração“. O que!? Quem fala esse tipo de coisa aos 16 anos de idade?

A Chloe disse logo de cara “NÃO!”, e nós dissemos “tudo bem”. “Não vamos arrastar você contra vontade, tudo o que pedimos é que você ore sobre a respeito. Você pode fazer isso?”, ao que ela respondeu que sim. Perspicaz como a Chloe é, ela logo começou a negociar e colocar condições para que ela considerasse a mudança para o Brasil. Por exemplo, ela queria móveis novos da IKEA despachados pra cá e facebook para manter contato com os amigos, etc.

O que eu ouvi no pedido da Chloe era que aquilo traria a sensação de “lar”. Não era um pedido ganancioso ou de cobiça, mas sim um tipo de pedido que alguém faz quanto está pensando a longo prazo. Ela não queria viver um estilo de vida transitório, mas de segurança e estabilidade. O Elijah topou imediatamente a ideia. Ele já amava a comida, como todos nós também, e agora a ideia de aprender outra língua e jogar futebol no Brasil – por que não?

Como mãe, já fiz muitas leituras a respeito de crianças expostas a uma terceira cultura e tudo o que eles enfrentam, e chorei muito. Eu sabia que não podia protegê-los – ou a mim mesma, pra começo de conversa – mas as chances eram melhores do que quando eu e o Dwayne fizemos missões nos nossos vinte e poucos anos. Eu já vi muitos filhos de missionários viverem todo tipo de drama. Não sou idealista sobre como a nossa vida no Brasil é fácil, e eu ainda choro e oro pelos meus filhos, mas o conforto no meio de tudo isso é que eles mesmos falam com Jesus sobre esse assunto.

Minhas meninas que agora têm 19 e 16 anos fizeram de Jesus o aliado delas. As duas ouviram claramente que nós deveríamos nos mudar para o Brasil quando oraram, e nenhum dia sequer elas disseram “por que vocês me trouxeram pra cá?”. Não tem sido fácil. Eu e o Dwayne lutamos contra as lágrimas ao deixá-las na escola no primeiro dia de aula. Elas sabiam 3 palavras em português na época, mas elas ficaram firmes. Aprender a língua tem sido um pouco mais devagar do que elas esperavam, mas elas não desistiram.

Aliás, elas colocam a si mesmas em situações desconfortáveis para aprenderem mais da língua. Essa semana os três vão pra um acampamento para ficarem imersos por uma semana e a Sydney ainda se estende em duas semanas para ser mais exposta. Estou tão orgulhosa dos meus filhos que mesmo agora, enquanto escrevo esse artigo, estou resistindo às lágrimas. Estou crendo num final diferente do que li. Pra falar a verdade, nunca estivemos tão unidos como família. Nós precisamos um do outro como nunca antes. Estou vendo as minhas meninas se tornarem amigas. Minhas filhas já me viram desfalecer e eu tenho que encarar os meus medos, e elas acreditam em mim assim como eu acredito nelas. Jeremias 29:11 diz que Deus tem planos para nos prosperar e não para nos fazer mal, e eu fico com essa opinião de especialista! TAMBÉM, vou orar até dizer chega, mas todos os pais já fazem isso, não fazem?

Quem é que realmente sabe o que estão fazendo no que diz respeito a ser pais? Só o que eu sei é que Deus está motivado em me ajudar! Judas 1:24 diz “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória.”

Jennifer Roberts

Jennifer Roberts é membro-fundadora da International House of Prayer (IHOP-KC) desde os anos noventa, onde serviu por quase 15 anos depois de ter sido missionária pela Jocum desde a sua juventude. A partir de sua peculiar história de vida, tornou-se uma apaixonante comunicadora da mensagem do amor de Deus, das verdades que transformam vidas e do valor da mulher.

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